sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Nasdróvia

Foi em um ensolarado dia em Varsóvia
ou talvez em meio uma nevasca na Cracóvia (não me lembro bem)
foi quando conheci a garota espanhola,
muito faceira, 
desafiou-me a rimar com seu nome.
Tal garota, nada simplória, se chamava Gloria
Pois veja bem, não me incomode.

Foi logo que entrei na igreja, vestindo nada além de uma cornucópia
dançando tango e cantando ópera.
Alguém veio lá da frente e me disse: "Ei, mas isso não pode!"
Eu apenas sorri e pedi: "Calma, deixe-me contar a estória!"
"Ah meu amigo, não fode."

Fui logo preso e rotulado como escória
"Mas que cara louco, deve estar num porre..." - disse o guarda.
Nada disso camarada, o que acontece é que não sou uma reles cópia
Em Varsóvia com a Glória e vestindo uma cornucópia... só anseio pela esbórnia!
Destarte, o que seria desta história?

Me liberaram, enfim, mas que alívio! Voltei direto prum bar e lá brindei à vida e à Gloria.
Tin-tin, saúde.
Em russo: "Nasdróvia!"

domingo, 9 de setembro de 2012

A luz no fim da estrada


Mas como é dura e amarga,
esta vida de alma penada.
“Vai pra luz” – Me disse um anjo de sorriso cortado,
uma piada de mal gosto.
Daqui só vejo a sombra da estrada,
quando só queria ver teu rosto.

Vejo esta estrada, que por vezes me conduziu à vida que eu tinha
Em meio aos ciprestes, eu fazia incauto suas suaves curvas, encanto que aprendi que não apreciava.
E foi lá mesmo que eu morri, atropelei a mim mesmo
De carreta pra carroça, uma desgraça danada!
Mas sim, agora eu vejo, claro como a luz no fim da estrada:
Nada como se estar morto pra saber o que é a vida, eu penso
eu peno.

E por fim, como se não bastasse,
encomendas tu a minha alma!
Mas se me serve de consolo
Ao menos em tuas irônicas preces eu vivo,
Vida passada, luz na estrada
Não te esqueças desta alma penada