segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Ressaca de amô


Estou aqui bêbado por fora

Pensando em ti tão são por dentro

dentro como não o existisse mar que levasse embora tua onda

Tampouco brisa que levasse pro inferno  teu cheiro

 

Nem a chuva forte ou a interminável garoa

Leva teu gosto embora

O vento venta  e tenta me levar pra outrora

Mas não há chuva que chova e lave minha alma

 

Finjo uma calma, mas você sabe, mantenho meus medos

Com aquela velha cabeça cheia de dedos e dividendos

Cores, flores  e ruminantes  pudores

Que serviriam até de samba-enredo

 

A neblina noturna, porque eu quis  me sacaneou

Logo no dia seguinte fez sol

Não digo que me surpreendeu, mas vi o sol nascer e me senti só

Ressaca de vinho, perfume e pó

 

ressaca de amô.

 

Foi só porque eu quis que você me enganô.

 
 
 

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Alívio de domingo


Onde moro tem tudo, falta nada

Sobra gente politicamente bem posicionada a esmo

Desconformada, desconfiada e revoltada

Só hoje que faltou luz, cidadania, bom senso

Meu Deus, faltou até água!

 

Banho de canequinha, em pequenas doses

Como Martina que conheci no bar da esquina – garota Argentina

pensei bêbado em ti na matina

enquanto o vizinho de cima dava uma transadinha

 

mas sem problema, a vida é bela

olho pro céu pensando em como devem ser as estrelas

uma pena eu só conseguir ver mais de cem janelas

sob a neblina monóxi-carbônica daquelas 62 parcelas

 

todavia tenho um alívio,

hoje é quinta, mas te tenho no sábado

e espero acordar contigo no domingo

não é de todo ruim, pois num lugar desses, todos precisamos de um amigo.

E com tantas gentes por aí, a solidão pode sempre ser um perigo.

 

E depois a semana continua

dela nada nada nada espero

A não ser nossa síndrome de Édipo

Cidadãos ecléticos, epilépticos, esqueléticos

Prédios e mais prédios

Ah, e em meio a toda estripulia, rima ridícula
e adultério
Saiba que ainda te quero
mas com a vida tão corrida, vai saber se espero.

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Chaveiro


Dentre meus humildes serviços:
Revelo a senha dos teus segredos
Combinação para desmistificar teus medos

Quebro o cadeado selando teu passado
Faço a chave do teu sossego
Desvendo os códigos desse teu jeito
Arrombo teus sentimentos,
Te algemando em intensos ofegantes momentos
Desato complicações
Pensa no teu mundo, agora sem grilhões

Ganho acesso aos teus sonhos sem pudores
Amarrando imaginações
Abro sorrisos! (esse é meu mote)

A senha?

V_o_c_ê_a_q_u_i_f_e_l_i_z_c_o_m_i_g_o



quarta-feira, 5 de agosto de 2015

O melhor dia do mundo


Vocês, seres que da terra pouco viveram,
como vos invejo!
Por breve tempo foram senhores senhoritas donos da verdade e do universo
Deste vasto xucro mundo já conhecem tudo
E dele nada esperam
 

Nos atraem e traem sua jovialidade e convalescência
Prepotência, obscura e angustiada inocência
Justificada delinquência e inconsequência
Cheiro inútil de cama, livros e indolência
 

Mas quem não queria afinal, em sã consciência!
Nem que por um dia – o melhor dia do mundo, de novo
Dormir sem banho,
De pijama e sem escovar o dente
Terminar trabalho de filosofia quando era domingo e estava doente
Não ter de votar ou dirigir e ainda se sentir gente
 

Se me lembro bem, assim como dois mais dois são três
Não tinha como saber, acho que só tinha dezesseis
Quiçá com responsáveis vinte-e-três agora eu sei:
 

Que toda farra tem um fim,
a gente também.
 
Mas uma coisa eu bem me lembro e logo agora bem sei - até que enfim:

O que é não precisar de ninguém
E ninguém precisar de mim.

 

quinta-feira, 7 de maio de 2015

O caipira torpe


Você ri da gente marrom que é da roça

Os bucólicos alcoólicos, agorafóbicos anônimos

Até te entendo, semo simpresmente gente simpres e morta,

deveras motivo de justa troça!

 

tua cidade é cinza-viva, tudo de bom e de tudo tem

Tem de dia bi bi, de super egocosmos a incolores escrotórios

Gente bonita, bem sucedida e grossa, intelimente tamém

De noite tem fom fom, luzes, cores, sorrisos e dores

Ruas, bares e fossas cheias de cultura e novos e deliciosos amores

 

Pois meu amor, admito! Ademiro tua franqueza, destreza e paciência

Merecida indolência, complacência e estilo

irresistível escolaridade e bem cansada beleza.

Mas assim como vô Ademiro, que não gostava de todo esse rebuliço

Sou caipira,

pira.

 

Porra,

Mas quem não gosta de verde e rosas?

Diga lá gata, tenho tempo e passo aí qualquer hora

Me fala o número e o andar da cova colorida em que você mora.

 

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Ei baby


Você, menininha bonitinha,

és gatinha, uma gracinha

E pra provar que te gosto e que é minha

Deixo claro que meu negócio é fazer rima engraçadinha

 

Mesmo você sendo chorona, cagona

Escrota, escroque, esperta e mandona

Lambona, pidona, piegas e babona

Acho bem da hora e te acho uma super gostosona

 

Não se assuste e não me leva a mal se puder,

Não sou um machista boçal, sou apenas um cara qualquer que sabe o que quer

Sou bom moço e um cara legal, sem querer me autopromover

Honestamente, o que eu quero mesmo é

 

Você, menininho bonitinho,

és gatinho, um chuchuzinho,

E pra provar que te gosto e que tá facinho

Lhe confesso que te ganho só fazendo biquinho

 

Mesmo você sendo chorão, cagão

Escroto, escroque, esperto e mandão

Lambão, pidão, piegas e babão

Acho bem da hora e te acho um super gostosão

 

Não se acanhe e não me leva a mal se puder,

Não sou uma maluca sentimental, sou só uma garota qualquer que tem o que quer

Sou menina de família, uma moça legal, sem querer me comprometer

Sinceramente, o que eu quero mesmo é

 

Focê

sábado, 25 de abril de 2015

Amor de praia


Animosidade acalorada entre namorados no bar da Enseada:

 “Ronaldo, você é um filho da puta,

ordinário e canalha.

Comeu logo a Samira, minha melhor amiga!

Vai pro inferno, não adianta... Não quero mais nada.”

 O bar para, olha e cala. O cara sua frio e responde na lata:
“Mas ela não é sua melhor amiga, Renata.”

 
A noite acabou previsível, com direito a cerveja, porções de risadas e tapas.