quarta-feira, 5 de agosto de 2015

O melhor dia do mundo


Vocês, seres que da terra pouco viveram,
como vos invejo!
Por breve tempo foram senhores senhoritas donos da verdade e do universo
Deste vasto xucro mundo já conhecem tudo
E dele nada esperam
 

Nos atraem e traem sua jovialidade e convalescência
Prepotência, obscura e angustiada inocência
Justificada delinquência e inconsequência
Cheiro inútil de cama, livros e indolência
 

Mas quem não queria afinal, em sã consciência!
Nem que por um dia – o melhor dia do mundo, de novo
Dormir sem banho,
De pijama e sem escovar o dente
Terminar trabalho de filosofia quando era domingo e estava doente
Não ter de votar ou dirigir e ainda se sentir gente
 

Se me lembro bem, assim como dois mais dois são três
Não tinha como saber, acho que só tinha dezesseis
Quiçá com responsáveis vinte-e-três agora eu sei:
 

Que toda farra tem um fim,
a gente também.
 
Mas uma coisa eu bem me lembro e logo agora bem sei - até que enfim:

O que é não precisar de ninguém
E ninguém precisar de mim.

 

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